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roteirista e diretor de cena

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Narciso

Uma noite, voltando para casa, já de madrugada, notou que a luz da rua pouco iluminada projetava sua sombra na terra batida. Reparou como eram parecidos.  Até fumavam o mesmo cigarro ao mesmo instante.  De fato Sombra era sua outra metade.  
Foi criando dimensão, crescendo os seios depois das pernas.  A terra começou a se abrir. Sombra já tinha um próprio corpo, saiu do casulo.
Narciso se  apaixonou. Demorou muito para que aparecesse mas chegou linda.
Já eram íntimos.
Narciso pediu para que nunca saísse do seu lado, dividiriam  todos os momentos e movimentos e Sombra respondeu que nada os separariam.
Ao chegarem à casa de Narciso, foram para o quarto. Ele tirou a roupa dela enquanto tirava a sua e, ao apagar a luz, Narciso não viu mais Sombra. Ela sempre precisou de luz. Mais até do que ele.
                        Narciso não a perdoou. E se tornou sombrio.

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