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roteirista e diretor de cena

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Patrícia

Desde novinha já sabia o que queria. Bicho solto, embora fosse fêmea, sempre chamou a atenção, não só pela beleza, mas pela simpatia e desenvoltura.
Entra várias atividades, algumas em número desconsiderável,  as amigas do colégio particular pensavam em estudar arqueologia ou veterinária. Embora a carreira de ginasta olímpica exercesse certo fascínio.
Ela não. Sempre quis ser puta. Puta mesmo. O que é bem diferente de garota de programa ou alpinista social. Mesmo porque não havia por onde ascender e nem tal necessidade.
A fazenda do seu pai, além de soja e café, tinha 200 alqueires só de pasto. Modesto, coronel José Antônio dizia que eram umas trezentas cabeças. Na verdade, nunca terminou de contar.
A confirmação do desejo de Patrícia, ou quem sabe vocação,  veio quando ela completou 16 anos. Seus pais viajaram e a deixaram sob os cuidados de dona Tiana. Zelosa, desde quando Patrícia nasceu cuidou da menina como se fosse sua.
Mas Patrícia não era de ninguém.
E numa terça feira, ao invés de ir à aula, foi para a beira da estrada se aventurar em alguma boléia de caminhão.
Um prestativo caminhoneiro e seu ajudante altruísta pararam a carreta. Patrícia entrou assim que a porta se abriu e sentou-se na parte de trás da cabine. Fogosamente.
Não existe razão nenhuma para se duvidar da boa fé daqueles dois, até porque não há santo que resistiria quando a garota tirou o moleton e a blusa transparente do uniforme revelou dois seios lindos, empinados e pontudos.
Thiago, o ajudante, pouco mais velho do que a aprendiz de sirigaita, partiu pra cima dela. Mas foi surpreendido de tal forma que, sem saber como, antes que alcançasse aqueles peitinhos, já estava de calça aberta e membro pra fora.
Aldair,  o motorista,  até queria prestar atenção na estrada, mas era impossível tirar os olhos do retrovisor. Estacionou no primeiro posta de gasolina, fechou as cortinas e foi receber seu prêmio por tão generosa carona.
Dormiam satisfeitos, motorista e ajudante, quando Patrícia saiu do caminhão.
Não foi difícil conseguir outra cartona para qualquer lugar.
Passado quase 10 anos daquela terça feira, não se sabe de Patrícia.
Na fazenda do coronel, o gado foi morrendo, deu praga na plantação, e José Antônio já não é efusivamente convidado para jantares, bingos e outros eventos sociais.
Quem não a conhecia direito diz que Patrícia se casou com um dono de caminhão e mora em Roraima. Os outros suspeitam que até hoje ela viva de boléia em boléia. Sai de algum lugar para um lugar qualquer. E depois o contrário.
Talvez ela até quisesse ser de um homem só. E apenas enquanto seu amor não surgisse seria de todos. Era de todo mundo mas não era de qualquer um. Só quando algum felizardo lhe agradava é que se entregava por inteira. Mas fazia felizes até aqueles que não tivessem tanta sorte. Para ela o gozo nunca foi o final,  era a essência.
Toda noite, quando fecha os olhos dorme feliz por ter  cumprido a sua sina.
Desde novinha já sabia o que queria.

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